"Entendendo a crise atual como o esgotamento de um modo de viver: A exigência de um novo estilo de vida" é o tema do primeiro módulo de Café Filosófico do ano na CPFL Cultura em Campinas e terá curadoria de Clóvis de Barros Filho. A estreia será no dia 8 de maio, às 19 horas, com entrada gratuita e por ordem de chegada.
Por quatro sextas-feiras, o Café Filosófico em Campinas recebeu palestrantes que abordaram o tema "Entendendo a crise atual como o esgotamento de um modo de viver: A exigência de um novo estilo de vida". O módulo teve curadoria de Clóvis de Barros Filho, que encerrou o ciclo no dia 29 de maio abordando "Moral e estilo de vida na crise da contemporaneidade".
O pensamento pós-moderno – como toda análise complexa do mundo e de suas sociedades – está distanciado no tempo face a seu objeto. A fluidez da realidade que nos dispomos a investigar torna impossível e indesejável ombrear-nos com as assertivas da modernidade. Cheias de certeza e com pretensões universais. Limitamo-nos a um olhar sobre o mundo. Da perspectiva que nos toca. A partir das emoções do corpo investigador que interage. Num fluxo de mundo doravante denominado de crise.
De todas as transformações sofridas pelo mundo nos últimos meses – reunidas sob a alcunha de crise – muitas interpretações e soluções foram propostas. Discursos cuja legitimidade depende dos porta-vozes e espaços de enunciação. Para alguns, a solução é o resgate imediato dos valores da modernidade. A começar por uma presença regulatória do Estado.
Consumo é ação no mundo. Ação que define quem age. Que faz existir em sociedade. Que informa quem é. Porque os pertencimentos e discriminações passaram a depender de uma certa prática de consumo. Consumir para ser e ser aceito. Mas esse mesmo consumo, de herói, indicativo de uma vida melhor para todos, tornou-se vilão. Bode expiatório de uma crise de causas complexas. Tema para mais de uma conversa. Objeto da nossa.
O questionamento sobre a ética aparenta ser constante na sociedade. Com ou sem crise. Com mudança ou não de valores e paradigmas. O discurso da eficácia corporativa e suas metas, tão elogiados no início do século, hoje é duramente condenado. Problemas econômicos e ambientais sugerem o retorno aos valores baseados no respeito e na cooperação.
Toda crise denuncia mudança. Constrange-nos a considerar que o mundo não é mais o mesmo. Talvez pudéssemos nos dar conta disso em qualquer outro momento. Mas temos mais o que fazer. A constatação do fluxo do real nem sempre combina com a vida em seu cotidiano. Afinal, estamos muito acostumados ao conforto de uma certa crença na permanência.
Uma visita à concepção trágica da vida (a tragédia grega e alguns filósofos trágicos posteriores) pode ser um recurso de enfrentamento dos fantasmas da utopia na medida em que coloca o homem diante de uma indagação ancestral: somos senhores de nosso destino? Qual o alcance da liberdade humana? No que os processos utópicos foram causa de uma modernidade covarde? Vida perfeita, sexo perfeito, amor perfeito, personalidade perfeita, liberdade perfeita, juventude eterna, todos fantasmas de um mal infinito.
O acúmulo das ciências da alma (psicologia) gerou uma grande ansiedade de autoconhecimento. Qual o resultado, a esta altura, deste acúmulo? Haverá uma relação necessária entre autoconhecimento e felicidade? Ou, ao contrário, a ampliação da consciência implicaria maior dificuldade de autoengano e, portanto, um impacto causado pela inquietação, este outro nome para a consciência? O que ganha e o que perde quem busca conhecer a si mesmo?
Com o impacto das técnicas de manutenção da juventude artificial, qual seria o desdobramento de um corpo “sempre jovem” para uma alma que vê o envelhecimento como apodrecimento sem significado?
Quando somos jovens buscamos independência e sabedoria, mas, quando a alcançamos estamos velhos e desejamos de volta o vigor da juventude. Será que passamos a vida esperando pela idade em que seremos plenamente felizes?
A CPFL Cultura em Campinas apresenta durante o mês de junho a série de Café Filosófico CPFL "Os fantasmas da perfeição", com curadoria do filósofo Luiz Felipe Pondé.
Um dos nomes mais associados ao Café Filosófico CPFL é o do filósofo Luiz Felipe Pondé. E coube a ele a apresentação da palestra da última sexta-feira, dia 5 de junho, "A Clínica do Trágico", encontro que deu início ao módulo "Os fantasmas da perfeição", que conta com sua curadoria.
O pessimismo prometido por Luiz Felipe Pondé foi deixado de lado em seu módulo já na segunda palestra. O sociólogo Marcelo Coelho já abriu a noite de sexta-feira, dia 19 de junho, dando o recado: eu sou um otimista.
No primeiro encontro predominou o pessimismo. No segundo, uma visão mais otimista. E no final, um discurso quase sem dono. O psicanalista Ricardo Goldenberg iniciou sua palestra falando da origem das ideias próprias com base no pensamento de outro. O convidado para encerrar o módulo "Os fantasmas da perfeição", de Luiz Felipe Pondé, adotou uma postura de diálogo o tempo todo, falando apenas meia hora, para logo após abrir para o debate com o público.