Café Filosófico
04
maio

gravação: as bases do self e como nos afetamos: visões do otimismo e do pessimismo, com luiz lessa

  • instituto cpfl e youtube do café
  • 19:00

04/05 | qui | 19h
As bases do self e como nos afetamos: visões do otimismo e do pessimismo
Com Luiz Lessa, psicólogo e psicanalista, Mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ.

A maneira como um indivíduo se afeta envolve não apenas as circunstâncias vividas no presente, mas um pano de fundo emocional que influencia, ao menos como tendência, a forma como ele é afetado. Por que algumas pessoas são otimistas ou pessimistas? Por que alguns indivíduos tendem a ver com desanimo situações que objetivamente lhes são favoráveis? Por outro lado, há indivíduos que mesmo em dificuldades tendem a manter uma postura positiva em relação a si mesmos e à superação do problema vivido. Estas variações encontradas tanto em indivíduos saudáveis quando em psicopatologias graves têm origem na forma como o self se constituiu desde a vida uterina até os primeiros anos da criança, tal como nos mostra Winnicott. Conhecer o papel que o self desempenha na forma como nos afetamos é útil para compreendermos melhor a nós mesmos e aos outros e assim nos afetarmos melhor.

> Entrada gratuita no estúdio do Café, por ordem de chegada, a partir das 18h. Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera, Campinas/SP.

Série:
O poder dos afetos – uma visão filosófica e psicanalítica

Qual a importância do autoconhecimento de nossos afetos, de como eles funcionam em nosso psiquismo singular? Estamos em contato direto com todo tipo de emoção em nosso dia a dia, seja no trânsito, nas redes sociais, nos entretenimentos ou em nossas relações pessoais. O que anda à flor da pele? Que tipo de afeto nos move? E quais nos paralisam? Como lidar melhor com os afetos em nossa vida, favorecendo o bem-estar psíquico, a criatividade, o amor à existência, e a vontade de seguir em frente na busca de realizações? É possível entender aquilo que nos entristece e que retira a nossa energia, transformando-o assim em força para o contrário?

Afetos não são sentimentos que existem em algum lugar em um mundo das ideias, aos quais acessamos de maneira mais plena ou menos inteira. Afetos são maneiras de se afetar. Interagimos no mundo, com os outros, com os ambientes, com os acontecimentos, e sentimos porque nos afetamos. É impossível não nos afetarmos, pois é impossível não interagirmos com nosso entorno, que afinal de contas nos constitui, nos dá contorno, e a partir do qual nos moldamos.

Existem três autores em particular, nomes maiores da história do pensamento, que nos oferecem ferramentas conceituais que esclarecem de maneira luminosa o funcionamento de nossos afetos, nossa psicodinâmica. Spinoza, um pensador de vanguarda hoje, no século XXI, mesmo tendo escrito no século XVII, nos mostra que só conhecemos porque nos afetamos e através dos afetos, e que o próprio afeto é um pensamento. Winnicott, no século XX, nos faz ver, também de maneira inequívoca, o quanto nossas experiências na primeira infância com nosso ambiente inicial, a começar pelo núcleo familiar, constrói uma base para bons e maus afetos. No século XIX, Nietzsche dinamita a quimera da filosofia metafísica, expondo a ferida aberta de que a epistemologia que separa mundo sensível de mundo inteligível e deprecia a corporeidade e os afetos nada mais é do que um sintoma afetivo – que Winnicott entenderá como uma defesa psíquica, e Spinoza nomeará delirium.

Neste módulo, que comemora o 20º aniversário do Café Filosófico, trazemos quatro pesquisadores e pensadores que trabalham com Spinoza e com Winnicott, se valendo também de Nietzsche, para analisar o poder dos afetos. Dos afetos negativos, que nos tiram a potência de agir – ressentimento, culpa, ódio, medo, angústia… que levam à drogadição e à depressão, por exemplo. Dos afetos positivos, que aumentam nossa potência de agir – alegrias ativas, paixão como entusiasmo, amizade… que trazem a criatividade, a força afirmativa da vida em suas dores e delícias, a inspiração.