café gravação | Atenção, tédio e serenidade, com Luciana Salum
no instituto cpfl e YouTube do café
19:00
A psicanalista Luciana Salum dá continuidade à programação de abril do Café Filosófico CPFL com a palestra “Atenção, tédio e serenidade”. Sexta palestra do módulo “Vocabulário de emoções”, que tem curadoria de Ana Suy e de Christian Dunker.
Sinopse:
Queixamo-nos constantemente da falta de tempo, afinal, os intranquilos nunca valeram tanto numa sociedade na qual sujeitos se confundem, não só com consumidores, mas, também, como produtos a serem consumidos. No entanto, quando se tem a sensação de um alongamento do tempo, de um tempo-que-não-passa, traduzimos essa experiência como “tédio”. Ele, o tédio, exige estratégias para encurtar o tempo, matá-lo, através de passa-tempos, pois tal tempo expandido é sentido como vizinho da tristeza. Diz-se que sofremos de tédio, ou, ainda, que se morre dele.
Mas, quando se precisa trabalhar cada vez mais para ter o mínimo de dignidade, questiona-se se o tédio e a possibilidade estética de seu uso – o ócio criativo – não seria destinado a uma pequena minoria privilegiada. Considero ser necessária a crítica ao caráter irracional de uma sociedade construída pelo cálculo utilitário para adentrarmos em tal questão, e, posteriormente, na proposta desta conversa, descontruir o sentido coloquial e pejorativo fixado na palavra tédio.
Desejo, com Heidegger, tomá-lo em sua essência e valorizar um aspecto fundamental do ser humano que é a sua relação com o mundo e com o sentido da vida.
Numa confusão frequente entre desejo e vontade, testemunhamos, via tédio, um roubo dos quereres presente em um mundo paradoxalmente insuficiente à satisfação. Um mundo que torna nosso “eu” tão pobre e vazio para qualquer investimento que nos lembre desejantes.
Vive-se num vácuo ao se deparar com a crua ausência de um sentido prévio para a nossa existência e para a nossa finitude. Condições humanas por excelência.
Como diria Fernando Pessoa, quando desassossegado em sua versão de Bernardo Soares, “O tédio… Sofrer sem sofrimento, querer sem vontade, pensar sem raciocínio…” Como investir nos objetos da vida sabendo-se finito e castrado em suas ideias?
Vincular tal náusea existencial à psicanálise e às possibilidades de, diante de tamanha nadificação, não tão distraídos, recuperarmos um pouco de serenidade será o assunto da nossa conversa.
Mini Bio:
Psicanalista e ensaísta. Autora do livro “Fragmentos. Sobre o que se escreve de uma psicanálise” (Iluminuras, 2016, finalista do Jabuti) e do livro “Lacan e a estrutura da cadeia significante” (Toro, 2024). Doutora (bolsista pelo CNPq) pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo (USP). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília (UnB). Membro da APOLa – abertura para outro Lacan.
Pesquisadora do Latesfip-Cerrado (UnB) e do grupo de Tradução e Psicanálise (UnB). E, claro, nas horas não-vagas, bailarina contemporânea.
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Participe ao vivo do programa!
Presencialmente, na sede do Instituto CPFL
Rua Jorge Figueiredo Corrêa 1632, Chácara Primavera, Campinas (SP)
Entrada gratuita, a partir das 18h, por ordem de chegada
ou pelo YouTube Café Filosófico CPFL – YouTube