Circuito CPFL inicia temporada 2026 para levar sessões gratuitas ao interior
Mais de 80% das cidades paulistas não têm cinema; CineSolar inicia temporada 2026 para levar sessões gratuitas ao interior
Em 2025, o projeto percorreu cerca de 16 mil quilômetros, passou por cem cidades de seis estados e impactou cerca de 24 mil espectadores da área de concessão do Grupo CPFL Energia
Mesmo em um momento de destaque do cinema brasileiro no cenário internacional, o acesso às salas de exibição ainda é restrito a uma parcela da população. No Estado de São Paulo, maior mercado exibidor do país, apenas 116 dos 645 municípios contam com salas de cinema, segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Mais de 80% das cidades paulistas não possuem nenhuma estrutura para exibição regular de filmes. É justamente para ocupar esses vazios culturais que tem início a temporada 2026 do CineSolar, projeto itinerante que leva sessões gratuitas a diversas cidades. Com exibições realizadas em um furgão movido a energia solar, a iniciativa percorre municípios paulistas e de outros estados, transformando espaços públicos em salas de cinema a céu aberto.
A previsão para este ano é que o projeto percorra cem cidades da área de concessão do Grupo CPFL Energia e a primeira parada será no próximo dia 24, em São Manuel (SP), município com cerca de 38 mil habitantes. Ali, as salas comerciais mais próximas estão a aproximadamente 30 quilômetros, em Botucatu, distância que, somada ao custo do ingresso e do deslocamento, limita o acesso de parte da população
Apoiado pelo Instituto CPFL, por meio da frente Circuito CPFL, desde 2014, o projeto se consolida como uma alternativa para ampliar o acesso à cultura e aproximar o público das produções audiovisuais. Por meio dessa parceria, a iniciativa já percorreu milhares de quilômetros e levou experiências cinematográficas a localidades onde o cinema, muitas vezes, nunca chegou. Com o apoio da frente Circuito CPFL, só em 2025, o CineSolar percorreu cerca de 16 mil quilômetros, passando por cem cidades de seis estados da área de concessão do Grupo CPFL Energia impactando cerca de 24 mil espectadores nessas localidades.
Foi justamente essa realidade que marcou a vida da agricultora Bianca Monique Vieira Caetano. Aos 27 anos, ela entrou em uma “sala de cinema” pela primeira vez em abril de 2025, quando o CineSolar chegou ao distrito de Vitoriana, em Botucatu. Até então, o cinema mais próximo ficava a cerca de 18 quilômetros de distância. Mãe de duas meninas, de 12 e 5 anos, Bianca compartilhou a experiência inédita com as filhas. “Eu amei por ser uma algo que a gente nunca viu e por ter a oportunidade de ver com as minhas filhas”, contou.
Em Ribeirão Bonito (SP), a estudante Ysiey Eduarda Martins Bispo, de 15 anos, também conheceu de perto essa realidade. Na cidade, a sala de cinema mais próxima fica em São Carlos, a cerca de 40 quilômetros. Durante a sessão do CineSolar, ela levou o irmão de quatro anos e acompanhou o encantamento dele diante da tela. “Achei muito bonita a iniciativa, porque nunca teve isso aqui. Eu vou embora com um sentimento de alegria e gratidão por poder trazer meu irmão para conhecer tudo isso”, relatou a estudante.
As histórias ajudam a ilustrar um contraste do cenário cultural brasileiro: enquanto produções nacionais ganham reconhecimento internacional, com conquistas e novas indicações recentes em premiações como o Oscar, o acesso ao cinema ainda não acompanha esse crescimento de forma igualitária.
Para o Instituto CPFL, patrocinador do projeto, reduzir essa distância é parte do compromisso com a democratização da cultura. “Acreditamos que o acesso à cultura é um direito e uma ferramenta de transformação social. Em um momento em que o cinema brasileiro ganha reconhecimento mundial, é fundamental garantir que essa experiência também chegue às comunidades que não contam com salas de exibição. O Circuito CPFL, por meio do CineSolar, cumpre esse papel ao unir democratização cultural e consciência ambiental, levando experiências marcantes para milhares de famílias”, afirma Daniela Ortolani Pagotto, head do Instituto CPFL.
Para Cynthia Alario, idealizadora do CineSolar, mesmo os municípios com salas de projeção não garantem que a população tenha acesso às produções, já que ir ao cinema é uma programação cara para a família. Outro ponto importante refere-se à curadoria dos filmes.
“Mesmo vivendo numa era onde muitos têm acesso à Internet e aos filmes, seja através de VOD, aplicativos ou sites, a nossa preocupação é pensar uma curadoria com produções audiovisuais relevantes. Por exemplo, os curtas-metragens exibidos nas sessões do CineSolar tratam temas de reflexão para a sociedade, tais como as questões ambientais, de maneira lúdica e que dificilmente alcançariam a população porque se restringem a festivais de cinema”, diz.